sábado, 9 de novembro de 2013

Abençoa-me, Ultima de Rudolfo Anaya

Sinopse

“Nesta obra-prima da Literatura Mexicana-Americana surge-nos Ultima, La Grande, uma bruxa velha e sábia, cheia de segredos, que ajuda o pequeno Antonio a encontrar a sua identidade pessoal e étnica. 

Ultima ensina-lhe que as perguntas mais difíceis sobre a vida podem nunca ser respondidas por uma única religião ou por uma tradição cultural. As questões que Antonio coloca sobre o mal, o perdão, a verdade, a alma penas por ele poderão ser respondidas. Somente a combinação das águas dos dois rios (a religião Católica e os mitos e tradições indígenas) fará Antonio encontrar a sua identidade chicana. Por isso, num gesto simples, mas cheio de significado, Ultima oferece a Antonio o seu escapulário. Nele não há qualquer imagem da Virgem ou de um Jesus crucificado mas um grupo de pequenas plantas medicinais. Simbolicamente, Ultima transmite o seu conhecimento da terra a Antonio.

Ele entende que é essencial escutar as revelações da natureza, sentir o poder que emerge das planícies, acordar as maravilhas da criação e unidade universal. A aceitação das suas heranças conduzirá Antonio ao equilíbrio cultural, condição essencial para a formação da sua identidade. O segredo está em reunir o llano e o vale do rio, a lua e o mar, Deus e a carpa dourada e fazer algo novo. Finalmente Antonio compreende que nada é verdadeiramente irreconciliável e move-se de uma visão polarizada da realidade para o reconhecimento da unidade dos opostos, da harmonia do homem com a natureza.”

Este livro é o romance estreia do autor, que a Editora Nova Veja oferece ao público português. Faz parte de uma trilogia completada por Heart of Aztlan e Tortuga, que ainda não se encontram traduzidas para a língua nacional.

Como é referido na sinopse, este livro conta-nos a história de António “Tony” Marez, um garoto chicano que viveu nos anos 40 na zona de Santa Rosa, uma cidade localizada no estado americano do Novo México, no Condado de Guadalupe. 

Ele encontra-se dividido entre dois meios culturais que não compreende muito bem. A nova cultura norte-americana, (com a sua religião protestante, moderna) e a cultura transmitida pelos seus pais mexicanos (religião católica, conservadora). No entanto no meio desta divergência, surge Ultima, La Grande a tradicional feiticeira mexicana, velha, cheia de segredos, acompanhada de um mocho estranho, que lhe vai transmitir todo o conhecimento e linguagem da terra.

Um livro cheio de misturas étnicas, folclore indígena e deliciosas paisagens, marcado pelo choque de culturas, mas com uma linguagem muito acessível que nos transporta para um mundo mágico, onde a ligação do homem à natureza acaba por prevalecer. 

Espero, ansiosamente, que a editora Nova Veja traduza para a língua nacional os restantes livros desta trilogia.

Em resumo um livro diferente, marcante e muito bom, que nos transporta para um universo mágico do espírito humano e animal, da natureza das paisagens áridas do grande llano, do espaço e culturas de um povo simples marcado pela era da globalização.

Um livro do qual gostei bastante e recomendo a quem se interessar por este tema. 

Descobri, recentemente, que saiu  um filme baseado neste livro:



4 comentários:

  1. Olá Caminhante,

    Impressionante se é a forma como descreves o livro ou não sei o que, mas a verdade é que fico sempre com imensa vontade de ler os livros que aqui comentas, sem duvida que deve ser um livro mesmo ao meu jeito :)

    O livro é de quando ? 2012 ? Espero que publiquem a trilogia sim, ao menos que seja um livro que se lê bem de forma independente, mas acredito que se queira ver a continuação :)

    Bjs

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    1. Olá Fiacha
      obrigada pelas tuas palavras :)
      o livro já foi editado em 2005, não deve ter tido muita saída, porque nunca se ouviu falar na publicação dos restantes. Mas é um livro que se lê muito bem sem os restantes. O enredo começa e termina neste livro.
      Bjs e boas leituras

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  2. Olá amiga :)
    Gostei muito da sua opinião. O tema é cativante/interessante e deve conter uma beleza natural nas palavras que compõe a história, uma vez que, a natureza é o meio principal de passar conhecimento :)
    Sei que a A Caminhante escolhe muito bem as suas leituras e partilha aquelas que a sua essência é feito de coisas boas e úteis. Gostaria de ter a oportunidade de ler, mas seria bom ter logo a continuação, pena que ainda não haja em Português.
    Boas leituras :) beijinhos

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    1. Olá Carla
      como já referi ao Fiacha, o livro lê-se muito bem sem continuação, uma vez que a história tem um principio e um fim.
      Mas é claro que gostaria de ler mais livros deste autor e logicamente as continuações.
      Obrigada pelas tuas palavras
      beijinhos e boas leituras :)

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