sábado, 7 de setembro de 2013

A Árvore Vermelha de Shaun Tan







"Quem já não acordou algum dia

com a certeza de que tudo vai mal

e não há nada a fazer?

Quem já não se sentiu

como um peixe fora d'água

em um mundo pra lá de estranho?"









A Árvore Vermelha é um livro que se encontra classificado como sendo um livro para crianças. No entanto é um livro bastante diferente do contexto que os livros infantis, na sua maioria, transmitem aos nossos pequenos leitores. Quase todos eles, não passam sem uma “lição pedagógica”, ou sem uma “moral da história” , ou mesmo sem as ideias preconcebidas e estipuladas daquilo que os livros de criança devem conter.







Shaun Tan não se preocupou com estas “teorias”. Todos os seus livros acabam por ser englobados nesta classificação, mas o autor preocupa-se mais em transmitir sentimentos. 

Sentimentos que passam por uma melancolia, uma tristeza de que algo não está bem, ou de que nos falta alguma coisa, ao mesmo tempo que a esperança surge de uma forma ténue e que vai crescendo suavemente ao longo dos livros. Se queremos que os nossos jovens leitores sejam pessoas saudáveis e emocionalmente estáveis, então eles devem desde cedo ter contacto com estes sentimentos, estas realidades disfarçadas em histórias e poesia.




A Árvore Vermelha é uma poesia em grande formato. As imagens grandes e extremamente marcantes acentuam as poucas palavras que existem em cada página. O mundo surge triste e agonizante, no qual a protagonista se sente perdida, desanimada e só, mas que de repente ela descobre, mesmo ali á sua frente, um sinal, uma pequena luz, a esperança de que precisa para vencer todo o desânimo e toda a tristeza.





Quantos de nós, adultos não nos sentimos assim, em certos (ou muitos) dias….

"Por vezes, o dia começa sem expectativas e as coisas vão de mal a pior. A tristeza apodera-se de ti, ninguém te compreende





O mundo é uma máquina insensível sem lógica nem sentido

Por vezes tu esperas, e esperas, e esperas, e esperas, e esperas, e esperas, e esperas mas nada acontece… "







Neste livro, Shaun Tan explora outras técnicas, as imagens a óleo e colagens, são grandes, marcantes (como já referi anteriormente, peço desculpa pela repetição, mas esta é propositada), intensas, cujo objectivo é causar impacto. O texto é simples e sem pontuações, mas poético, explorando as emoções que transpiram nas imagens.









É um excelente livro, que a todos, crianças e adultos, permite descobrir o valor da solidão, da incompreensão, onde tudo se “agiganta”, mas que ao mesmo tempo nos ensina a acreditar na importância da esperança.




quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A coisa perdida de Shaun Tan





"Então, querem ouvir uma história?
Bem, eu dantes sabia algumas muito interessantes. Umas eram tão divertidas que vos fariam rir a bandeiras despregadas, outras tão terríveis que não iriam querer repeti-las a ninguém.
Mas não me lembro de nenhuma dessas.
Por isso só vos vou contar uma, a daquela vez em que encontrei a coisa perdida…"






Seguindo a ordem, dos livros que fui conhecendo, nesta semana dedicada a Shaun Tan segue-se a “A coisa perdida” publicada em Portugal pela Kalandraka em 2012. 

No original, “The lost thing”, foi publicado em 1999 e inspirou Shaun Tan a realizar uma curta metragem, que recebeu, em 2011, o Óscar de Melhor Curta Metragem de Animação.




A história é-nos narrada na primeira pessoa, pelo próprio protagonista, um jovem coleccionador de caricas, que em tempos distantes passeava pela praia e que pela primeira vez vê a coisa. Uma marca na paisagem da praia, um corpo grande revestido por uma armadura de uma metal desconhecido, com portas e gavetas, uma chaminé lateral, uma tampa no cimo tipo cafeteira, diversos suportes, pernas e sininhos. 

Algo completamente dissonante, estranho e que não se parece com nada conhecido. No entanto, mesmo tendo em conta a sua dimensão, ninguém lhe presta atenção, é como se não existisse. E é essa noção da indiferença que causa ás pessoas que passam por ela que faz com que se sinta triste.






O rapaz que sente pena desta enorme coisa, aproxima-se e estabelece uma relação com ela. Simpatizam um com o outro e ele tenta arranjar um lugar, onde ela pertença, onde se sinta bem.





São as imagens que nos contam a história, enquanto as palavras apenas comentam os factos. Mais uma vez Shaun Tan opta pela apresentação de imagens diversificadas que passam pelas sequências curtas com diálogos entre as personagens, como o típico desenho da banda desenhada, às paginas cheias só com uma imagem, ou sobrepostas como se de colagens se tratasse. 



A história é simples mas desenrola-se diante dos nossos olhos carregada de ternura e melancolia, numa linguagem desenhada e subtil. O problema da exclusão por ser diferente, a indiferença perante os outros na vida quotidiana e a amizade são temas que aqui se encontram bem retratados, numa sociedade cinzenta e estéril, povoada de gente apática.




Duas figuras solitárias que se unem em busca de uma causa (um lugar para a coisa) e sobre a qual nada sabemos, mas que terminado o livro, nada ficamos a saber.








Um livro magnificamente ilustrado que não descura qualquer pormenor, desde a fantástica colecção de caricas nas guardas da capa, aos fundos das páginas de cor sépia que imitam folhas de antigos manuais técnicos de física e álgebra sobre as quais se conta a história. O mundo é retratado com cores sem vida, cinzentos, beges e cor de ferrugem.







Sendo um livro para crianças, coloca-nos, a nós adultos, a pensar neste futuro próximo, onde a tecnologia e a industrialização nos podem levar a agir apaticamente, sem vermos o que nos rodeia, nem darmos importância a qualquer “coisa” que surja no nosso caminho.



“De vez em quando ainda penso naquela coisa perdida. Sobretudo quando vejo pelo canto do olho algo que não encaixa.
Sabem, algo com um aspecto tipo estranho, triste, perdido.
No entanto, ultimamente vejo cada vez menos esse género de coisa.
Talvez já não haja por aí muitas coisas perdidas.
Ou talvez eu tenha apenas deixado de reparar nelas.
Demasiado ocupado a fazer outras coisas, se calhar.”





O video que ganhou o Óscar de  Melhor Curta Metragem de Animação em 2011 (legendado em brasileiro):




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Emigrantes de Shaun Tan



Decidi começar os meus comentários sobre a obra de Shaun Tan, pelo livro, no original The Arrival, porque foi aquele que me apresentou a Shaun Tan. 

 Editado em 2006, The Arrival foi vencedor do Prémio da Melhor Banda Desenhada no Festival de Angoulême de 2007.

Em Portugal saiu pelas mãos da Kalandraka, em 2011, com o título de “Emigrantes”.

De capa castanha, imitando um álbum de fotografias antigo, que nos obriga a repensar o tempo presente, deparamo-nos com 128 páginas a sépia,  que nos transportam para um mundo mágico. 




Uma história sem palavras, paginas cheias de imagens, espectacularmente desenhadas a grafite e detalhadamente trabalhadas, que nos contam a vida de quem deixa a sua terra para procurar uma nova vida em outro lugar, deixando para trás a família, os amigos, e todos os anos da sua existência. 








Como tantos portugueses, outrora fizeram (e agora cada vez mais novamente) o personagem principal desta história, caminha à descoberta de uma cultura diferente. 












É fácil identificarmos, nas imagens, (o adulto) ligações a realidades passadas, como a chegada, de barco, dos emigrantes europeus a Nova Iorque, a perseguição dos nazis aos judeus na Europa.








Classificado como um livro infantil, pode, na minha opinião, ser “lido” sob vários níveis. Como todas as obras de Shaun Tan, também esta é melancólica, mas que nos toca de uma maneira diferente, consoante a nossa vivência ou idade. 







As imagens alternadas, quer em tamanho quer em pormenores, também contribuem para a criação de ritmos diferentes de leitura e de percepção.










O desenho, é a “palavra-chave” nesta belíssima crónica. Shaun conta-nos a história através das suas imagens fantásticas, criando um elo de comunicação connosco ao mesmo tempo que cria o desenho para que o seu protagonista possa comunicar com os habitantes desse novo país (cuja língua é diferente da dele).








Os desenhos de Shaun Tan são intensos, fugindo à realidade pela sua estranheza, mas que, por essa mesma razão transmitem-nos as emoções profundas e os medos que o desconhecido e a solidão provocam no ser humano. 



Um livro para nos sentarmos junto das crianças e com elas percorrer as páginas, perdendo-nos em cada pormenor, em cada detalhe, em cada fantasia…



Um livro para ler e pensar…




Um livro para deslizar o nosso olhar pelas maravilhosas imagens de Shaun Tan, uma vez... e outra....e outra....






terça-feira, 3 de setembro de 2013

Quem é Shaun Tan ?





Nasceu em Fremantle, Austrália ocidental, em 1974 e desde muito cedo, na infância, que o seu mundo foi invadido por lápis e tintas devido á profissão do pai (arquitecto). No entanto era a sua mãe que lhe contava histórias que se tornaram mais tarde referências no seu trabalho de ilustrador / escritor, nomeadamente a obra de Orwell e na adolescência Ray Bradbury. 

Desde pequeno que se distinguia, na escola, pelos seus desenhos originais sobre dinossauros, robots e naves espaciais. Aos 16 anos, Tan publica a sua primeira ilustração na revista australiana Aurealis (1990). Um pouco indeciso, dado o seu enorme gosto por biotecnologia, acabou por se formar em Artes Plásticas e Literatura Inglesa na Universidade da Austrália Ocidental.

O desenho e a pintura levaram-no a enveredar pelo caminho da ilustração e é actualmente um conceituado ilustrador e autor de livros, considerados infantis, e de ficção especulativa. 

Inicialmente os seus desenhos eram, essencialmente a preto e branco, uma vez que as reproduções também o eram. No entanto os materiais utilizados eram diversos: canetas, tintas, carvão, fotocópias entre outros.


Actualmente Shaun Tan, inicia os seus trabalhos com uma base monocromática, normalmente utiliza um lápis de grafite para fazer esboços que são reproduzidos várias vezes, com diferentes versões, adicionando ou removendo partes. Utiliza muito a técnica de recorte e termina as suas obras utilizando outro tipo de materiais e técnicas variadas – pintura a óleo e tinta acrílica, guache, grafite, canetas hidrocor, colagem e outras.

Iniciou a sua carreira como ilustrador de revistas de Ficção Cientifica e mais tarde enveredou pelo mundo da literatura infantil. 


Shaun considera-se como “um tradutor de ideias” , sendo que as ilustrações “são o principal texto” dos seus livros. A pesquisa é fundamental, e constitui um alicerce importante na sua obra:, refere que “As boas ideias não aparecem, você precisa procurá-las”. Entre suas principais referências estão os artistas Edward Hopper, Smart Jeffrey e Hieronymus Bosch.

Hoje, com onze títulos publicados e muitos prémios no currículo, tornou-se mundialmente conhecido por seu estilo narrativo inconfundível e pela versatilidade de seu traço. 


Em 2010, Shaun Tan foi o artista convidado de honra da 68º Convenção Mundial de Ficção Científica, realizada em Melbourne, na Austrália.

Pela sua contribuição na literatura infantil e juvenil internacional Tan ganhou em 2011 o Prémio Astrid Lindgren Memorial do Conselho de Artes Sueco, o maior prémio a nível da literatura infantil




A partir do seu livro The Lost Thing (A coisa perdida), realizou em parceria com Andrew Ruhemann a curta-metragem de animação que foi vencedora do Óscar desta categoria de 2011.


Actualmente vive em Melbourne.

Grande parte das suas histórias são classificadas de infanto /juvenis, no entanto isto não significa que a sua obra esteja destinada somente a este público. A fronteira entre esta literatura infanto-juvenil e a literatura adulta é muito ténue, pois o próprio adulto poder-se-á deslumbrar com as suas fantásticas ilustrações , bem como com os textos simples que nos tocam interiormente. Por vezes Shaun Tan envereda pela literatura fantástica, criando lugares secretos e seres que mais parecem provenientes de galáxias distantes.




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Shaun Tan


Esta semana vou dedicar este espaço à divulgação do trabalho desenvolvido por este incrível ilustrador / escritor que é Shaun Tan.
Numa primeira abordagem irei dar-vos a conhecer o autor e em seguida comentarei cada um dos seus livros editados em Portugal, na nossa língua.


Através do desenho a lápis, da pintura e do texto, Shaun Tan consegue "pincelar" emoções, sentimentos e palavras que nos tocam e apaixonam.
Desde o desenho simples, ao mais trabalhado, passando por recortes de papel ilustrados que se colam e que revelam, na  união feliz  do texto com o papel, a narrativa pretendida.
São histórias simples, temas banais do quotidiano mesclados com o fantástico e o absurdo, mas cujo resultado encanta qualquer geração.
Espero conseguir transmitir-vos, tudo aquilo que este autor conseguiu despertar em mim através dos seus traços e palavras.


Uma boa semana com        Shaun Tan





sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A linha recta do Corvo de Manuel Alves


Sinopse:


Lince teria uma vida relativamente despreocupada se não fosse a pequena questão de ser perseguido por assassinos, e tudo só porque chateou certas pessoas por ter testemunhado algo que não devia. Felizmente, os corvos avisavam Lince sempre que um assassino se aproximava. Infelizmente, os corvos não o ajudavam a escapar. Uma boa maneira de matar um assassino é tornar-se um assassino melhor. Pelo menos, foi o que Lince pensou. 


Confesso muito sinceramente que foi dos contos de Manuel Alves, o que menos gostei (dos que li até agora). No entanto, deixem-me referir que este meu primeiro comentário baseia-se apenas no meu gosto pessoal, sobre o tema do conto e nada mais. 


De resto, é mais um conto que mostra bem a versatilidade do autor, nos temas escolhidos e na excelente adequação dos estilos e linguagem escrita aos mesmos.

Recheado de uma certa dose de humor negro do início ao fim, bem como as expressões irónicas e sarcásticas que povoam os diálogos entre Lince e os seus opositores levam-nos a sorrir ao longo de todo o texto. Uma leitura fácil e agradável.

Ficam, no entanto, um conjunto de pontas soltas: o que terá levado a este “herói” do deserto ser tão perseguido pelos assassinos e se bem que o final parece claro , será que o sabemos mesmo?

É verdade que o facto de estas pontas ficarem misteriosamente escondidas, dão alguma graça e curiosidade que nos leva a ler com gosto todo o conto. Se tudo se conhecesse sobre este personagem e sobre o seu destino, não cativaria tanto, na minha opinião. É o tamanho certo , com a informação certa para o meu gosto, claro.

Resumindo, apesar de como referi, não ser um tema que me agrade particularmente, reconheço que está muito bem escrito, com uma mistura de ingredientes que o tornam interessante e divertido. Passei um bom momento, com a sua leitura.

Este conto pode ser encontrado gratuitamente, pelo menos até à data, em  https://www.smashwords.com/books/view/256021



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

“Os livros que devoraram o meu pai” de Afonso Cruz

“Olho para os meus filhos e para os meus netos e penso em que diabo de histórias se meterão eles e o que é que eles poderão um dia contar. Porque um homem é feito dessas histórias, não é de adê-énes e músculos e ossos. Histórias”. 



Sinopse
Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo.
Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá, qual Telémaco, à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.


Elias Bonfim descobre, no dia em que faz doze anos que afinal o seu pai não tinha morrido de doença de coração, como lhe tinham contado, mas, na verdade, entrara dentro de um livro e nunca mais ninguém soubera dele. A sua avó revela-lhe este segredo, no dia seguinte ao seu aniversário, ao mesmo tempo que lhe entrega, de prenda de anos, a chave do sótão onde se encontra a biblioteca do seu pai.

A partir desse dia, o jovem parte em viagem pelo mundo dos livros, seguindo as “pegadas” do pai, Vivaldo Bonfim. Começando pelos livros mais ligeiros, vai percorrendo os mundos descritos de vários autores, tentando encontrar vestígios e pequenos sinais, sempre na esperança de um encontro. Alguns dias mais tarde, começa a ler outros autores e entra verdadeiramente na sua aventura e procura pela “A ilha do Dr. Moreau” de H.G.Wells, passando para Stevenson, Dostoievski, Italo Calvino, Bradbury ou Jorge Luís Borges, entre outros.

Paralelamente a este desfolhar da biblioteca situada no sótão da sua avó, vamos acompanhando as suas aventuras de jovem adolescente com a mãe, avó, os amigos e até mesmo com a sua apaixonada. Aqui, na vida real, é o seu melhor amigo Bombo, que o apresenta a Lao Tse, mítico filósofo chinês, criador do Taoísmo.

Este livro, através da sua escrita simples e ligeira, permite a leitura de um público extremamente diversificado. Desde os mais jovens aos adultos, ou mesmo desde o leitor menos ávido ao mais apaixonado pela leitura, todos eles se sentem atraídos pela história do jovem Elias, possibilitando vários níveis de leitura, conforme a idade e a experiência do leitor.

A linguagem cativa-nos quer pela sua simplicidade, quer pela sua prosa poética, que surge nas caracterizações e descrições ao longo do livro.

“E no dia seguinte lá fui, depois das aulas, ter com a minha avó. Ela disse-me para me sentar, fez um gesto com a mão engelhada em direção ao sofá das riscas. Sento-me sempre nessas riscas, sempre que a visito. Ela também se sentou com a sua lentidão e um vestido florido. Passou as mãos pelo cabelo, ajeitou a voz e os óculos. Por vezes a voz dela fica um pouco amarrotada, quando se senta, quando acaba de fazer um esforço. Explicou-me – enquanto eu mastigava um bolo – que eu já era um homenzinho e que começava a ter responsabilidades. Estava na altura de saber a verdade. As palavras dela vinham cheias de cabelos brancos, podia sentir que havia nelas muita vida vivida. (…)”

Elias Bonfim, vai crescendo enquanto pessoa, neste livro, atrás da ideia de que as histórias, a literatura, são constituintes integrantes do ser humano e dele fazem parte. “As personagens de carne são exatamente como nós, os de papel e letras negras” afirma Raskolnikov. (protagonista de “Crime e Castigo” de Dostoiévski. Paralelamente ele aprende duras lições na vida real, onde os sentimentos de culpa e arrependimento chegam tarde demais.

Um livro muito bom, que devoramos num ápice, completamente absorvidos pelo desfolhar das páginas sem darmos conta deste facto. 

Afonso Cruz é um excelente escritor, do qual vou querer ler muito mais.

Para uns, a raiz é a parte invisível que permite à árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como os pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado.”