quinta-feira, 18 de abril de 2013

Perguntas-me? de Manuel Alves


"É o que te digo, ar, sorriu a rapariga. Um sorriso é fácil de imaginar. Um traço com curva e duas ou três pintinhas. Tolices cá minhas.

O ar beijou o rosto da raparia com um sopro. Ela sorriu e baixou o rosto, como se tivesse acabado de conhecer o primeiro amor da sua vida. O ar fê-la corar. O ar sabia-lhe os pensamentos. E, em alguns deles, havia muito descaramento.

 Sabes, ar, gosto de te escolher para conversar, disse a rapariga. Ouves sem esperar pela tua vez de falar. Dás tempo de sorrir. De imaginar. E o que é mesmo bom é que não tenho de te pedir para ficar.

A rapariga encheu mais um balão de pensamento e deixou-se estar, encostada à folha de papel-parede, a sorrir com toda a vontade que se pode imaginar."

 Manuel Alves – Perguntas-me?

 
Uma obra composta por 46 pequenos textos, dos quais alguns poemas. Todos eles são questões ilustradas com aguarelas, desenhos do próprio autor. Inicialmente comecei a “folhear” algumas páginas e deparei-me com algo que não esperava (não sei porquê, uma vez que o autor me era completamente desconhecido e não deveria de haver nada a esperar…).
Estes pequenos textos são todos eles questões, com que o autor nos presenteia de uma forma sublime. Sentimentos de amizade, amor, ódio, raiva ou mesmo de uma leve indiferença sentida no seu íntimo, que nos transportam para o seu mundo, numa mistura de cores e sentidos. É impossível ficar indiferente perante as suas palavras.
Estas são escritas como se de pensamentos se tratassem, mas com um ritmo poético. Basicamente, palavras simples que questionam, somente por questionar, sem esperar respostas, num ritmo envolvente e poético, muito doce e amargo por vezes.
Este livro encontra-se disponível em:
 







sábado, 13 de abril de 2013

A Oeste do Éden de Harry Harrison



Sinopse

«Quando os dinossauros governavam a Terra...». Pois A Oeste do Éden ainda governam. 

A catástrofe cósmica que os exterminou há 65 milhões de anos nunca chegou a acontecer. O grande cometa nunca caiu, nunca chegou a provocar aquilo a que, no nosso universo, Carl Sagan chamaria Inverno Nuclear. A permanência de condições climatéricas indefinidamente estáveis permitiu que os grandes répteis continuassem a evoluir, com o cérebro sempre a aumentar, o polegar a tornar-se oponível, até culminarem nas Yilanè, a raça sauróide mais inteligente da Terra. A sua complexa civilização, baseada em sofisticadas técnicas de engenharia genética, transformou se num milagre de estabilidade social e integração ecológica. Fez surgir cidades «orgânicas» por toda a África, Europa e Ásia. Modificou todos os ecossistemas à sua imagem e semelhança. 

Subitamente, pressões climatéricas, o advento de uma microidade glaciar, fazem diminuir radicalmente os recursos energéticos e alimentares. Sob a ameaça do extermínio total da sua civilização, as Yilanè são forçadas a explorar o que designamos por oceano Atlântico e a colonizar o Novo Mundo. 

E ali, nas costas da Florida, dominando o topo de um ecossistema incompreensível, encontram uma espécie desconhecida de mamíferos inteligentes, agressivos, selvagens. Mamíferos que se deslocam erectos, assentes nos dois membros posteriores, que possuem o dom da palavra e se servem de utensílios rudimentares de pedra. Mamíferos que odeiam instintivamente toda e qualquer yilanè. Um ódio que é recíproco...


Quando peguei neste livro, para o começar a ler, confesso que tinha alguma expectativa e curiosidade. No entanto, nada previa que se tornasse num dos livros mais fantásticos que li nos últimos tempos. 

Resumidamente pode-se dizer que “A Oeste do Éden” conta-nos a história de um rapaz, Kerrick, pertencente a uma tribo de nómadas e que vê o seu sammad (grupo de pessoas que vivem em comunidade) ser totalmente destruído por uma raça desconhecida e que fazem dele seu prisioneiro, aos 8 anos de idade. Desta forma, Kerrick, conhece as Yilanè e a sua sociedade altamente desenvolvida. Com a curiosidade que lhe é característica ele aprende a linguagem, costumes e a organização da cidade onde vive por uns 7 anos. Quando reencontra o seu povo fica dividido, sentindo-se que não pertence nem a um nem a outro. Ele não é mais o mesmo, mas o ódio pelas Yilanè vence, levando-o a vingar a destruição de vários sammad e a respectiva morte dos seus membros, até á destruição da cidade onde cresceu. 

Este livro, tem tanto conteúdo que me agradou, que é difícil, conseguir transmitir-vos tudo o que dele retive. 

Por um lado, o realismo antropológico e a descrição das primeiras sociedades humanas no tempo da idade da Pedra. A descoberta do fogo e todo o seu potencial, á passagem das tribos nómadas ao sedentarismo, as primeiras comunidades/cidades destes povos, a descoberta da agricultura, a arte rupestre e o próprio aperfeiçoamento dos utensílios e armas de caça e ou guerra. 

Por outro lado a sociedade muitíssimo desenvolvida das Yilanè que dominam magistralmente vários campos da biologia e outras ciências. Povo descendente dos dinossauros  cuja evolução permitiu um conjunto de modificações genéticas, nomeadamente o desenvolvimento de polegares oponíveis. Por forma a combater a escassez de alimentos e a defenderem dos predadores os animais destinados à alimentação, criaram cidades com barreiras biológicas para o exterior. As transformações genéticas e a biotecnologia utilizadas no desenvolvimento das cidades onde vivem, são magistralmente criadas pelo autor. 

Ainda a ambiguidade dos sentimentos em Kerrick, que se sente preso a um povo, o seu, mas que ao mesmo tempo se sente deslumbrado pela evolução e conforto que o mundo das Yilanè lhe proporcionam. A sua crescente vontade de evoluir face ao conhecimento que aprendeu com as suas sequestradoras em oposição ao seu povo de caçadores-recolectores. 

A zoologia incrível que o autor cria e apresenta num conjunto de seres, em que alguns mais reais são antepassados dos existentes nos nossos dias, mas outros que são mutações genéticas oriundas do desenvolvimento das Yilanè e que servem para a sua subsistência. 

A riqueza da narrativa aliada ao realismo das personagens, transformam este livro numa obra verdadeiramente fantástica. 

Um livro que junta todos estes factores de que falei anteriormente e que se revelou, na minha opinião, verdadeiramente espantoso. 

Livro a não perder. Aconselho vivamente.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Contos DN - fase 2

Mais um conjunto de contos que li e sobre os quais dou a minha opinião


David Machado – Acho que posso ajudar

Sinopse:"Acho que posso ajudar" é a história de uma menina que acredita estar ao seu alcance resolver os problema de qualquer pessoa, monstro ou bruxa no mundo. Mas ela não sabe que cada gesto seu pode provocar uma cadeia de acontecimentos que deixará tudo pior do que estava.
Conto infantil, bastante engraçado, que nos conta a história de uma menina de oito anos que resolve ajudar a sua avó. No entanto a resolução do problema desencadeia outro que faz com que uma série de acontecimentos surjam. A menina querendo ajudar acaba por fazer com que os seus problemas deixem de existir, mas criando outros que alteram o rumo normal da vida no local onde mora.
A escrita é muito fluida e agradável. Gostei muito
                                      Nota: 4/5


Rui Zink – Um romance

Sinopse: Anos 80. O narrador improvável. Um restaurante ao lado de uma sala de cinema. Ele, Artur. Ela, Carolina. Cannelloni e lasagna. Romance anunciado? Já agora, também a vida.

Um conto, cuja história é perfeitamente banal, sem nada a acrescentar de novo ou de entusiasmante.  Uma história de amor que começa mal e termina igualmente mal, pois os preconceitos gritam mais alto. No entanto gostei  da escrita, da forma como o escritor se dirige ao leitor, de uma forma directa, contando, como quem fala com um amigo, o desfecho de uma história de amor, num jantar romântico, a que ele assistiu num restaurante enquanto aguardava  a chegada do Aristides.
Nota: 3,5/5


Dulce Maria Cardoso – Coisas que acarinho e me morrem entre os dedos
Sinopse: Uma mulher tem um encontro marcado com um desconhecido. O desconhecido tem sempre tanto de sedutor quanto de ameaçador. Que fazer? A mulher demora-se, frente ao computador. Atrasa-se. Talvez se afunde nos abismos que um psicólogo garantiu existirem no seu interior. Talvez se perca no outro lado do mundo, em Bangladesh, onde nunca faz frio. Ou talvez, ainda, se entregue nos braços de Machina ex Deus.

Uma história que nos fala sobre o conhecimento do Outro, sobre o que perdemos ao longo da vida: pessoas, bens, países, entre outras coisas. Uma escrita confusa, com demasiados recursos a informação da net, num texto desta dimensão, e que em nada contribui para a sua melhoria. Não gostei.
Nota: 1/5

Gonçalo M. Tavares – A moeda

Sinopse: Kartopeck, homem rude, avesso à cidade, vê o seu rosto desfigurado por manchas enigmáticas que lhe causam um enorme desconforto. Pensa que vai morrer. A prostituta que lhe vende os serviços conta-lhe as moedas, mas também as manchas. E ri-se.

Um homem cujo rosto se vai desfigurando, para além do admissível socialmente, acreditando que lhe resta pouco tempo de vida, vê-se confrontado com a noticia de que se encontra de perfeita saúde, sendo o seu problema apenas um factor externo ao organismo. Pouco habituado aos costumes da cidade, encontra-se desenquadrado e irritado consigo próprio por não conseguir integrar-se neste meio.
A escrita é fluida e bem delineada, mas a história não apresenta nada de novo, um pouco sem interesse.
Nota: 2/5


João Tordo – A cidade liquida


Sinopse : O conto Cidade Líquida recupera as personagens de um outro conto do autor, Águas Passadas, que decorre em Veneza. Agora em Lisboa, as mesmas personagens - o narrador e Roque dos Santos, um realizador de cinema - tornam a encontrar-se.

Um conto estranho que fala de um relacionamento que termina, de um realizador e do seu filme e dos sentimentos que assolam um professor de filosofia. Essencialmente, fala-nos de enganos e de aparências. Nem tudo o que parece existe na realidade, as pessoas não são aquilo que aparentam ser e no fundo tudo funciona como numa tela de cinema, a multidão não significa nada e no final o sentimento de solidão persiste. Esta é a mensagem que tirei deste conto, não sei se corresponde ao que o autor quis transmitir. No entanto, há várias incoerências no conto, nomeadamente água furtadas com vizinhos por cima.
Gostei bastante da escrita, muito embora a história seja uma mistura de situações que já referi e que não cativa. A nota atribuída é exclusivamente pela escrita.
Nota :  3/5


domingo, 31 de março de 2013

The Versatile Blogger Award

Mais um selo de uma amiga 
Obrigada Amanda do blogue http://amandatrindadepalavrasaovento.blogspot.com.br/

E as regras são as seguintes:
Dizer 7 coisas sobre mim mesma, e passar o selo para 5 blogues.
As 7 coisas sobre mim, (acho que já me estou a repetir face a outros selos)

1 -  gosto de ler
2 -  gosto de escrever
3 -  gosto do outono
4 - sou amiga da natureza
5 -  gosto de amizades verdadeiras
6 - gosto de viajar
7 - chocolate preto (quanto maior a percentagem de cacau melhor)


Os blogues que me visitam e que acompanho são todos eles fantásticos, como já referi anteriormente, pelo que considerem-se todos, mais uma vez, participantes desta minha oferta



quinta-feira, 28 de março de 2013

Selo da Primavera

Mais um selo

As regras são: 

1. Referir quem vos deu o selo
2. Postar uma foto de uma pilha com as cores do arco-íris.
3. Passar o selo a 10 blogs super-hiper-mega coloridos!


1. Quem me ofereceu o selo foi um amigo que tem apoiado bastante este meu espacinho no mundo virtual, obrigado amigo 
http://leiturasdofiachaocorvonegro.blogspot.pt/

2. Tentei tirar uma foto a um conjunto de livros que de alguma forma pudessem traduzir o espectro do arco-íris, mas na maioria dos casos as lombadas não são tão coloridas assim, paralelamente também coloquei o espectro dos brancos, pretos e cinzas, espero que gostem :)


3. Os blogues que me visitam e que acompanho são todos eles fantásticos, pelo que considerem-se todos participantes desta minha oferta.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Lenda da Ursa Maior


Naquela noite o céu estava cheio de estrelas, podiam-se ver todas as constelações. Eu, com a mão enfiada na grande mão do meu pai, ouvia-o extasiada. Ele sabia todas as histórias daquele céu iluminado de pequenos pontos brilhantes no espaço.
- Vês, ali está a … - e esperava que eu completasse
-Ursa Maior, essa eu já conheço! – dizia, inchada com a minha sabedoria. – Conta a história outra vez, por favor.
Ele ria-se, porque já contara aquela história montes de vezes. Mas eu gostava de ouvir a sua voz forte, na noite, transportando-me para bem longe, algures no firmamento, onde aquelas estrelas brilhantes se transformavam em deuses e deusas que povoavam o meu imaginário.
Tudo estava silencioso, quando a sua voz soou bem junto de mim. Encostei-me e ele passou o seu braço por cima dos meus ombros, puxando-me para junto dele.
- Há muito, muito tempo… - começava ele.
- Tanto tempo, que os seres humanos já esqueceram que os Deuses habitavam entre nós. – continuava eu, com a minha voz infantil.
- Sim, eram tempos magníficos, esses. Os Deuses eram caprichosos, e gostavam de ser idolatrados, mas o mundo era pacífico e a vida bela. Quis o destino que Zeus, o Deus dos céus e do trovão, o pai de todos os Deuses e dos Homens, segundo os povos gregos da altura, encontrasse Calisto, a bela ninfa dos bosques e companheira de Artemis, e se apaixonasse por ela.
- Artemis – continuava eu, falando da minha deusa favorita – era a deusa da vida selvagem e da caça. Dizia-se que era a mais pura das deusas, irmã gémea de Apolo, deus do Sol e da verdade. Era filha de Zeus e recebeu um presente dele que era um arco, flechas e uma lira em prata. O seu pai concedeu-lhe o título de rainha dos bosques e deu-lhe uma corte de ninfas, onde qualquer mulher ou rapariga poderia pertencer, desde que lhe fizesse um juramento de fidelidade e não mais ligar aos homens, quem fosse caçadora de Artemis ganhava a imortalidade.
O meu pai sorria docemente e continuava:
- Pois é como contas, Calisto era uma das ninfas de Artemis. Zeus tinha muitos filhos de muitas mulheres, apaixonava-se facilmente, mas quando conheceu Calisto ficou apaixonado pela sua beleza e para se aproximar dela, fingiu ser Artemis. Desta união, nasceu um filho a quem puseram o nome de Arcas. No entanto Hera, esposa de Zeus ficou tão zangada que transformou Calisto numa ursa, afastando-a para sempre do seu filho. Anos mais tarde, encontraram-se e cheia de saudades Calisto quis abraçar Arcas, no entanto este pensando que iria ser atacado por uma ursa gigantesca preparou-se para a matar. Zeus ao ver a situação criada entre mãe e filho, interveio e conseguiu impedir o assassino de Calisto, transformando o filho num pequeno urso e colocou-os nos céus. Hera não satisfeita, empurrou-os para junto do polo norte onde as estrelas são sempre visíveis. Desta forma nunca mais teriam descanso.
Eu não me cansava de ouvir esta história, pois adorava Artemis e sonhava que era uma das ninfas que a acompanhava por todos os recantos dos bosques e prados sob a luz prateada da Lua.  
 
 


Este texto foi escrito por mim, com base na informação e imagem disponível em




segunda-feira, 25 de março de 2013

Mais um selo



Entre amigos, os selos vão correndo.
Desta vez mais um selo oferecido por dois amigos que são visita assídua deste meu cantinho



As regras são pequenas e bem fáceis de cumprir
1-Colocá-lo no teu blog.
2- Referir o link( quem te enviou)
3- Dizer quais são as três coisas que mais gostas num livro e as três que mais odeias.
4- Passar o selo a 5 (ou mais blogs) que consideres de outro mundo

1 - já está....

2 - http://leiturasdofiachaocorvonegro.blogspot.pt/
                              e
    http://cronicasdemirime.blogspot.pt/

3 - O que mais gosto num livro é a história que ele contém e consequentemente as personagens, mas também gosto do tipo de escrita. O que menos gosto, é mesmo um livro sem história, e com uma escrita mais arrogante ou mesmo muito má.

4 - Fiacha, não leves a mal, mas vou aproveitar a tua ideia e passar este selo a todos os blogues que sigo ou que me seguem. 

Obrigado a todos