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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Contos DN - fase 2

Mais um conjunto de contos que li e sobre os quais dou a minha opinião


David Machado – Acho que posso ajudar

Sinopse:"Acho que posso ajudar" é a história de uma menina que acredita estar ao seu alcance resolver os problema de qualquer pessoa, monstro ou bruxa no mundo. Mas ela não sabe que cada gesto seu pode provocar uma cadeia de acontecimentos que deixará tudo pior do que estava.
Conto infantil, bastante engraçado, que nos conta a história de uma menina de oito anos que resolve ajudar a sua avó. No entanto a resolução do problema desencadeia outro que faz com que uma série de acontecimentos surjam. A menina querendo ajudar acaba por fazer com que os seus problemas deixem de existir, mas criando outros que alteram o rumo normal da vida no local onde mora.
A escrita é muito fluida e agradável. Gostei muito
                                      Nota: 4/5


Rui Zink – Um romance

Sinopse: Anos 80. O narrador improvável. Um restaurante ao lado de uma sala de cinema. Ele, Artur. Ela, Carolina. Cannelloni e lasagna. Romance anunciado? Já agora, também a vida.

Um conto, cuja história é perfeitamente banal, sem nada a acrescentar de novo ou de entusiasmante.  Uma história de amor que começa mal e termina igualmente mal, pois os preconceitos gritam mais alto. No entanto gostei  da escrita, da forma como o escritor se dirige ao leitor, de uma forma directa, contando, como quem fala com um amigo, o desfecho de uma história de amor, num jantar romântico, a que ele assistiu num restaurante enquanto aguardava  a chegada do Aristides.
Nota: 3,5/5


Dulce Maria Cardoso – Coisas que acarinho e me morrem entre os dedos
Sinopse: Uma mulher tem um encontro marcado com um desconhecido. O desconhecido tem sempre tanto de sedutor quanto de ameaçador. Que fazer? A mulher demora-se, frente ao computador. Atrasa-se. Talvez se afunde nos abismos que um psicólogo garantiu existirem no seu interior. Talvez se perca no outro lado do mundo, em Bangladesh, onde nunca faz frio. Ou talvez, ainda, se entregue nos braços de Machina ex Deus.

Uma história que nos fala sobre o conhecimento do Outro, sobre o que perdemos ao longo da vida: pessoas, bens, países, entre outras coisas. Uma escrita confusa, com demasiados recursos a informação da net, num texto desta dimensão, e que em nada contribui para a sua melhoria. Não gostei.
Nota: 1/5

Gonçalo M. Tavares – A moeda

Sinopse: Kartopeck, homem rude, avesso à cidade, vê o seu rosto desfigurado por manchas enigmáticas que lhe causam um enorme desconforto. Pensa que vai morrer. A prostituta que lhe vende os serviços conta-lhe as moedas, mas também as manchas. E ri-se.

Um homem cujo rosto se vai desfigurando, para além do admissível socialmente, acreditando que lhe resta pouco tempo de vida, vê-se confrontado com a noticia de que se encontra de perfeita saúde, sendo o seu problema apenas um factor externo ao organismo. Pouco habituado aos costumes da cidade, encontra-se desenquadrado e irritado consigo próprio por não conseguir integrar-se neste meio.
A escrita é fluida e bem delineada, mas a história não apresenta nada de novo, um pouco sem interesse.
Nota: 2/5


João Tordo – A cidade liquida


Sinopse : O conto Cidade Líquida recupera as personagens de um outro conto do autor, Águas Passadas, que decorre em Veneza. Agora em Lisboa, as mesmas personagens - o narrador e Roque dos Santos, um realizador de cinema - tornam a encontrar-se.

Um conto estranho que fala de um relacionamento que termina, de um realizador e do seu filme e dos sentimentos que assolam um professor de filosofia. Essencialmente, fala-nos de enganos e de aparências. Nem tudo o que parece existe na realidade, as pessoas não são aquilo que aparentam ser e no fundo tudo funciona como numa tela de cinema, a multidão não significa nada e no final o sentimento de solidão persiste. Esta é a mensagem que tirei deste conto, não sei se corresponde ao que o autor quis transmitir. No entanto, há várias incoerências no conto, nomeadamente água furtadas com vizinhos por cima.
Gostei bastante da escrita, muito embora a história seja uma mistura de situações que já referi e que não cativa. A nota atribuída é exclusivamente pela escrita.
Nota :  3/5


domingo, 10 de março de 2013

Contos DN – Fase 1

Encontram-se disponíveis em formato digital no site do Diário de Noticias (DN) vários contos de autores portugueses em formato digital gratuitos, basta apenas registar-se e fazer o respectivo download. 
Apresento a minha opinião sobre aqueles que vou lendo. Esta primeira fase contempla um grupo de cinco contos .

 Afonso Cruz – A queda de um anjo


Sinopse: Uma octogenária descontente com o Paraíso, pois não tem junto a si a pessoa que mais ama, decide viajar para o Inferno. Para ela, o Paraíso pode ser infernal e, ao contrário, o Inferno poderá ser uma fonte de felicidade.

Primeira obra que leio deste autor e gostei muito. A escrita simples e cuidada, transmite-nos as sensações, as emoções da personagem, levando-nos a criar um elo de ligação com ela.

A descida ao Inferno através de sete patamares, á procura da pessoa que ama e da qual não quer estar separada, é vivida através de recordações do tempo em que a vida era sempre a dois, coisas simples e banais são recordadas com carinho e emoção. O autor consegue levar-nos a percorrer estas etapas criando uma empatia com a personagem.

Um texto divertido desde  o sétimo andar até ao r/c terminando de uma forma inesperada e que nos leva de novo ao sétimo para repensar toda uma vida da personagem.

Recomendo a sua leitura e quanto a mim, vou querer ler sem qualquer dúvida mais obras deste escritor que já me tinha sido recomendado, anteriormente, por um amigo.
Nota:  4,5/5 


João Barreiros – A Mina do Deus Morto


Sinopse : Algures nos anos sessenta do século passado, num universo que não é o nosso, mil metros abaixo das colheitas de volfrâmio nas Minas da Panasqueira realizadas pela companhia Beralt in Wolfram, existem outras minas, secretas, terríveis, brutais, onde se recolhe grão a grão as partículas que provam a existência e a agonia final de Deus: as Minas do Deus Morto.

Uma vez mais, as partículas divinas ou as partículas de Deus surgem como algo demasiadamente ambicionado pelo Homem. Neste conto, elas constituem pequeníssimos resquícios de pó de um Deus que morreu “há vinte e cinco biliões de anos, pela hora do chá”.

Numa Europa globalizada, dominada pela Alemanha, o ser humano vê-se reduzido a ser dominado pela tecnologia que lhe retira todas as suas faculdades mentais, dia após dia, ano após ano. Só quando desce ás profundezas da mina, em contacto indirecto com as partículas divinas, ele recupera as suas faculdades, os seus sonhos, que se vão no momento em que ele regressa á superfície.

Os temas abordados, não são novidades, as partículas de Deus, a  perca de identidade dos pequenos países europeus, transformação tecnológica que nos transforma em robots e  a descida ao abismo para encontrar  de novo a nossa “alma”, os nossos sonhos.  No entanto a escrita, não sendo simples, conseguiu prender-me e levar-me a ler com agrado todo o conto.

O final deixou-me a pensar em quantas vezes, nós passamos a vida a sonhar com algo, mas que completamente absorvidos pela sociedade e pelo progresso, não conseguimos concretiza-lo. Não sei se era essa a intenção do autor, mas foi o que em mim ficou.

Sem ser um conto excelente, é bom e recomendo. Fiquei curiosa em ler mais deste autor.
Nota 3/5



David Soares – No muro


Sinopse : No Muro é um conto que reflete sobre a finitude do conhecimento, através de um não-leitor que herda a coleção de livros do pai. Encontramo-nos quando achamos livros e perdemo-nos quando os esquecemos.

Nunca tinha lido nada deste autor, apesar de já ter ouvido falar bastante dele. Com este conto não fiquei com vontade de ler outras obras dele.

Uma escrita demasiadamente complicada, utilizando palavras completamente desconhecidas para a grande maioria dos leitores que acabam por criar obstáculos á continuidade da história.

Para mim um escritor deve criar um elo com um leitor, deve escrever de forma a cativar e a aproximar-se do publico que procura nas suas obras uma história que o prenda e que o faça integrar-se nos seus meandros. Neste conto isso não acontece, na minha opinião, o leitor perde-se  na linguagem, procura avançar para tropeçar logo em seguida novamente.

A história que tem um bom início, o encontro da biblioteca do pai, se bem que por um motivo mais materialista, acaba por cativar o filho a conhecer o mundo dos livros, as suas histórias, a conhecer também um pouco mais  do seu pai. Ler e perceber o valor que ali tem, leva-o no entanto a tomar uma medida que acaba por contrariar esta sua descoberta. Ou seja esconde os livros de tal forma que nunca mais os poderá folhear, o que para quem descobre o gosto pela leitura, parece-me um pouco estranho.

Ma o que me leva a não gostar deste conto, é mesmo a escrita demasiadamente complexa, sem qualquer necessidade de o ser.
Nota: 2/5


Mário Carvalho – A porrada



Sinopse: Um bom amigo, de estirpes vetustas, fundadoras da Pátria, ou lá perto, contou-me que um fidalgo seu familiar, em certas noites, saía de casa só para a pancadaria.

Conto muito pobre. A história, se é que há história, gira em volta de um casal, da aristocracia portuguesa, em que todas as quintas-feiras, o marido sai de casa para passar um serão entre bebida e pancadaria. Não se entende muito bem o porquê, nem se desenvolve nenhuma ideia no texto.

Esperava mais de um escritor que já conheço e do qual já li várias obras: “Um Deus passeando pela Brisa da Tarde” , “A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho” e “Contos vagabundos”.

Para quem não conhece as obras de Mário Carvalho, espero que não se fique por este conto que não recomendo.
Nota : 2/5


Patrícia Portela  - Monólogo do Oriente


Sinopse: Era um sonho que eu tinha, ir à Escócia com a Elsa, íamos os dois de carro, atravessávamos o canal, apanhávamos um ferry, e depois outro, íamos juntos, a Elsa também tinha uma cena com a Escócia, falávamos os dois inglês, e íamos juntos, no verão, já estava tudo combinado, chegávamos lá no dia 8 de agosto, no dia do meu aniversário (...) mas depois, em maio, a Elsa acabou comigo depois de 12 anos juntos, saiu de casa, disse que estava confusa e que não se conseguia decidir e que por isso se ia embora. Nunca mais a vi.

Uma autora que não conhecia, um conto engraçado e divertido.  É verdadeiramente um monólogo, daqueles em que o nosso pensamento salta sucessivamente de problema em problema, sem parar de ritmo ou sem pausas pelo meio.

Muito real, leva-nos a pensar quantas vezes desejamos algo e que depois os nossos pensamentos nos levam a questionar tudo e acabamos por resolver algo completamente diferente da ideia inicial. A ansiedade, a hesitação, o medo do desconhecido levam a que as ideias se percam, e que os sonhos nunca se concretizem.

A escrita é fluida como é o pensamento, simples e directa. Recomendo.
Nota : 3,8/5